05 abril 2016

Não é simplesmente cozinhar...

Assisti um documentário incrível no Netflix chamado "Cooked".
Nele, o escritor Michael Pollan aborda o ato de cozinhar como uma transformação em nossas vidas em diferentes aspectos.
Fiquei encantada com os 4 episódios e no último, um texto dele descreve exatamente tudo o que sinto a cada envolvimento maior que tenho com a culinária; a alegria ao criar uma comida que irá alimentar e nutrir minha família. Fiquei tocada e emocionada com o texto:

"...cozinhar ou não cozinhar é uma questão secundária. Embora eu saiba que talvez isso seja direto demais.
Cozinhar significa algo diferente em épocas diferentes para gente diferente. Não costuma ser algo radical. Mesmo assim, até cozinhar algumas noites a mais na semana, ou dedicar o domingo a preparar refeições para a semana, ou talvez tentar de vez em quando fazer algo que só esperaria comprar...
...mesmo estes atos modestos constituirão uma espécie de voto. Voto para o que exatamente?
Em um mundo onde tão poucos de nós são obrigados a cozinhar, escolher fazê-lo é fazer um protesto à especialização. Contra a total racionalização da vida. Contra a infiltração do interesse comercial em todas as esferas de nossas vidas.
Cozinhar pelo prazer de fazê-lo, dedicar uma parte de nosso tempo a isso é declarar nossa independência de corporações que querem dirigir cada momento de nossas vidas para mais uma ocasião de consumo. Cozinhar tem o poder de transformar mais que plantas e animais.
Descobri que cozinhar nos dá a rara oportunidade na vida moderna de trabalhar diretamente em nosso sustento e no das pessoas que alimentamos.
Nos cálculos da economia, fazer isso talvez não seja o uso mais eficiente do seu tempo. Mas mesmo assim é bonito. Pois existe hábito menos egoísta, trabalho menos alienado, tempo menos desperdiçado, que preparar algo delicioso e nutrir as pessoas que você ama?"

Especialmente para meu marido e meu filho.

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