09 outubro 2015

Amamentação - dificuldades e realizações ao longo de 2 anos

Nessa semana, deu muito o que falar o desabafo de uma jornalista que não conseguiu amamentar. Não sou ela, não vivo a vida dela, não sei se ela teve ou não o apoio e a informação adequados, portanto não me cabe julgá-la.
Entretanto, como tive uma experiência longa com a amamentação e que nos primeiros meses, por pouco não desisti, cabe a mim compartilhar o que vivi e quem sabe ajudar outras mulheres a superarem suas dificuldades.

Amamentei por 25 meses.
Para muitas mulheres amamentar pode ser fácil, mas para mim não foi. Nos primeiros 2 meses, achava que era uma índia, bastava pendurá-lo e tudo estava resolvido, mas não foi bem assim. O freio da língua dele começou a atrapalhar, ele mamava em intervalos menores que 2 horas, era pauleira.
Decidimos operar o freio (cirurgia rápida e tranquila) e junto vieram extrações com bombinha elétrica várias vezes ao dia (um saco), translactação com meu leite e depois com leite artificial por um período, algumas sessões de fono para reaprender a pega correta, leite secando por quase 24 horas, não foi fácil, foi um trabalho árduo!

Muitas vezes pensei em desistir, muitas vezes fui questionada o porquê ele era tão magrinho, se não precisava de complemento, de comida já com 4 meses e por aí vai. Mas me mantive determinada e persistente (para muitos teimosa) e amamentei exclusivamente até 6 meses, como recomenda a OMS e o Ministério da Saúde.

Só consegui isso graças a Deus em 1o lugar, a um apoio técnico fundamental de Douglas Nóbrega Gomes (pediatra), que até faxineira arrumou p/ me ajudar, Maria Teresa Cera Sanches (fonoaudióloga), ambos da Casa Curumim, e mais que tudo, graças ao meu marido que deu todo conforto emocional para aguentar o tranco!
E olha, amamentação depende de diversos fatores, mas o fundamental é o emocional, se a cabeça da gente não está bem, não há produção de leite que resista!

Depois do 6o mês, quando ele começou a comer outros alimentos, aí sim comecei a curtir a amamentação. Os espaçamentos eram bem maiores e não estava mais preocupada que somente isso seria responsável pelo crescimento dele.

E assim continuamos. Engraçado que muitas mães comentam que são cobradas por não amamentarem, e outras por ainda amamentarem após o 1o ano. Durma-se com um barulho desse!
Ouvi "batatadas" do tipo - ah, com essa idade o peito é só aconchego/ nossa, ele vai ficar mimado/ etc, etc. Muitas vezes me fiz de surda para não perder tempo explicando todos os benefícios da amamentação prolongada, comprovados cientificamente. O fato é que a decisão era minha, com apoio de meu marido e deixando livre para meu filho parar a hora que bem entendesse.

O ano passou e cada vez ele foi diminuindo a frequência de mamadas. Com quase 2 anos, ele mamava 1 vez por dia, mas tinha dias que nem pedia, então o deixei à vontade e percebi que esse era um processo natural de desmame, até que um dia não pediu mais.

Por que conto tudo isso? Por me sentir vitoriosa, claro, mas para apoiar qualquer que seja a decisão de uma mulher. Só ela pode saber o que quer. Se a decisão for amamentar, estou aqui para ajudar com minhas experiências e indicar bons grupos de apoio e profissionais, se necessário.

E ficam aqui os pontos principais do que vivi:

– leite fraco – NÃO EXISTE! “pelamordedeus” ! existe criança que não extrai todo o leite, que foi o meu caso

– pouco leite – é possível, mas pode ser aumentado através do estimulo (quanto mais mama, mais produz) e pode ser incrementado com a translactação/ relactação. Há diversos relatos que podem ser encontrados no google sobre isso. Há medicamentos que também ajudam na produção, mas fica aqui minha sugestão do missoshiro com iriko, no meu caso deu muito certo.

– leite secar e voltar – totalmente possível, já vi relatos inclusive de mães que ficaram mais de 1 mês sem amamentar e conseguiram voltar com a “trans”

Mesmo assim, continuo dizendo, amamentação depende de todo um apoio, principalmente do parceiro, e de muita disposição, pois consome bastante a mãe e a produção de leite depende muito da condição emocional da mãe, pois é o cérebro que libera a ocitocina que vai produzir o leite.

Nem todas mulheres estão preparadas ou querem passar por isso e suas vontades devem ser respeitadas! Cada mãe sabe o que é melhor para ela e seu filho!

Mais importante que julgar a atitude de uma mãe, é perguntar se ela precisa e principalmente se quer ajuda.

4 comentários:

  1. Meu filho tb nao extraía tudo mas eu usei uma concha e ela me aliviava das dores e protegia o meu mamilo. É um "acessório" simples e eficiente.

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    1. Tb usei direto, Roberta, recomendo para todas as amigas, sem ela estaria frita!

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  2. Tb ouvi muitos conselhos para dá complemento para meu filho, mas com a minha decisão de amamentar, o apoio do meu esposo e a confirmação médica de que ele estava se desenvolvendo bem, estou só amamentando. E com a Graça de Deus vou amamentar até os 6 meses. Tudo que falo dessa experiência é que é possível.

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    1. Que bom Ana Paula, parabéns por manter-se firme, não é fácil, mas vc verá os enormes benefícios para vcs 2 ao longo dos anos. Estou colhendo os bons frutos disso, vale a pena!

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